quinta-feira, março 19, 2009

Sangue e Tinta: agora, sobre a cultura iraquiana

Por: Sinan Antoon

Se a falsa propaganda e as justificativas políticas da invasão anglo-americana ao Iraque são hoje bem conhecidas do mundo, seus efeitos trágicos e repercussões, além das atuais guerra e ocupação, são quase impossíveis de medir e superestimar. A destruição do Estado iraquiano e de todas as suas instituições resultaram em um caos violento no nível sóciopolítico. Como um Estado e uma sociedade, o Iraque já estava enfraquecido por guerras anteriores, com o Irã, de 1980 a 1990, e com os Estados Unidos, pela primeira vez, em 1991. Vamos nos lembrar que o general americano Schwarzkopf vangloriou-se, em 1991, de os Estados Unidos terem “bombardeado o Iraque até a Era pré-industrial”.A guerra foi seguida pelas mais severas sanções econômicas da história moderna, de 1990 a 2003, nas quais a classe média iraquiana foi erodida e com as quais foi criado um vazio socioeconômico. Um milhão de civis morreu por causa do embargo e alguns poucos milhões, a maioria de iraquianos educados e uma classe média secular, deixaram o país em uma diáspora que se expandia. Por volta de 2003, o tecido social do país já estava severamente enfraquecido por todos esses fatores e por décadas da ditadura horrenda de Saddam. A invasão e a ocupação removeram a ditadura de Saddam, mas, com uma análise posterior dos fatos, isso parece ter sido uma consequência e não o objetivo.A ocupação desmantelou o Estado iraquiano e suas instituições (o exército, a polícia e os ministérios) e criou um vazio político por alguns meses antes de ver instalado um sistema político baseado no sectarismo e nas milícias no qual as únicas moedas de valor político são a religião e a etnicidade. Uma guerra civil logo seguiu e milhões, especialmente as minorias religiosas, foram forçadas a deixar o país e tornar-se refugiados. Centenas de milhares perderam suas vidas.Tudo isso teve efeitos trágicos no nível cultural também. Milhares de escritores iraquianos e artistas escaparam da ditadura de Saddam ainda cedo, nos anos 1970 e 1980, mas muitos mais partiram durante as sanções econômicas nos anos 1990. É difícil subdimensionar as condições calamitosas sob as quais os iraquianos viviam nos anos de 1990. O colapso do dinar iraquiano e da economia como um todo pode ser imaginado com um simples exemplo: o salário de um professor podia comprar dois ovos. O custo do transporte, de ida e volta, ao trabalho por vezes excedia o salário. Escritores e artistas, assim como companheiros cidadãos, foram forçados a tomar outras profissões e vender seus pertences, especialmente livros, para sobreviver. A falta de papel fez com que não fosse surpresa ver um sanduíche shawarma embrulhado por uma página arrancada de um livro. Muitas das publicações, que proviam algum tipo de discussão interna, foram descontinuadas, assim como as oportunidades para publicar ou disseminar o trabalho de alguém. O embargo afetou a habilidade do Iraque conectar-se à Rede Mundial. Igualmente importante e desastroso foi o isolamento em relação ao resto do mundo e a impossibilidade de ter-se acesso a livros, revistas acadêmicas, etc... por parte de escritores e artistas que viajavam e atendiam a conferências e festivais. O senso de isolamento e abandono se manifestaria na produção cultural do período, na forma e no conteúdo, especialmente na escrita.É importante, também, lembrar o espírito de recuperação e resistência humanas daqueles que se recusaram a serem derrotados pela opressão dual imposta a eles vinda tanto de dentro quanto de fora.O vazio, político e de outras formas, produzido pela invasão e pela ocupação desde 2003 foi preenchida pelo caos em todos os campos - cultural, institucional e outros - sem exceção. A profusão de jornais e outros escapes e alternativas de mídia são celebrados, por vezes, como uma consequência positiva da situação. Enquanto o crescimento do espaço de expressão e comunicação é sempre positivo em princípio, um breve olhar em muitas dessas publicações e alternativas é suficiente para refletir sobre sua natureza problemática. Apesar de poucas exceções, as tendências tribais e sectárias podem ser facilmente detectadas nos pontos de vista e discurso. O caos e a confusão no campo da política têm eco na cultura também. Infelizmente, as práticas e os discursos de Saddam são recuperados. O conteúdo pode ter mudado, mas não a forma e os métodos. Ironicamente, mas não apenas para a surpresa de alguns de nós, mesmo os Estados Unidos replicaram algumas dessas práticas que fizeram Saddam notório no campo cultural. Tinham, antes mesmo da invasão, seduzido e contratado intelectuais iraquianos e escritores que estivessem dispostos a trabalhar como porta-vozes.Mais importante, talvez, é que as condições diárias sob as quais os iraquianos vivem, sejam escritores e artistas ou não, deteriorou-se a níveis sem precedentes, fazendo da vida um pesadelo. A falta de necessidades básicas (eletricidade ainda não voltou aos níveis pré-guerra e escritores reclamam disso em websites), a falta de segurança e liberdade de movimento, a violência incessante das milícias e o crime ocasional faz muito difícil o ato de produzir ou comunicar. A destruição do sistema educacional do Iraque sofreu vários golpes sob o Baath e depois por causa das sanções contínuas. Até hoje 350 professores universitários foram assassinados. Este é um número absurdo para um país que já sofreu o êxodo de sua intelligentsia e de seus educadores.Apesar da falta de eletricidade e do severo sofrimento econômico, é no ciberespaço onde muito do tráfico cultural está tendo lugar, pois obviamente permite discussões mais elevadas. É também no ciberespaço onde os escritores iraquianos de dentro do Iraque e aqueles na diáspora estão encontrando-se mais freqüentemente, mesmo que nem sempre amigavelmente. Há, surpreendentemente, alguma tensão por vezes e algumas embate entre aqueles que ficaram e os que fugiram. Enquanto o ciberespaço permite uma maior liberdade e menos restrições, é também objeto para o caos e a falta de regras.A cultura iraquiana encontra-se em um paradoxo único. A grande maioria de seus escritores e artistas vive fora do Iraque. Eu não estou de forma alguma menosprezando ou descartando a importância daqueles que estão dentro, mas é uma realidade material que um número desproporcional de escritores e artistas iraquianos, assim como cidadãos em geral, vivem hoje na diáspora. Assim como em outros momentos da cultura da diáspora, muitos desses exilados iraquianos estão interagindo com os países, línguas e cultura que os receberam e enriquecendo-os. Muitos deles iniciaram projetos, instituições e revistas e fazem traduções, nos dois sentidos, entre o árabe e outras línguas. Alguns estão escrevendo nas novas línguas que adotaram.Em um momento em que o Iraque e suas história e memórias estão sendo engolidos por um gigantesco buraco negro de destruição e desmembramento, a tarefa de escrever, reescrever e preservar as narrativas iraquianas e opor-se ao que o Império e seus escribas, por um lado, estão jogando pelo ralo, e por outro a milícia cultural está tentando institucionalizar, torna-se duplamente importante. Por essa razão, a tarefa e o ônus, para não falar da urgência, da produção cultural atual e futura é ainda mais indispensável preservar a memória e guardá-la. O desafio e as responsabilidades encarando os produtores culturais iraquianos são as de que são os últimos guardiões do significado e da memória, para usar uma frase de Hanna Arendt, e há milhões de fragmentos para carregar e reconstruir dos escombros com a paciência de Sísifo.

Por Sinan Antoon, poeta nascido no Iraque e tradutor. Publicou o romance I`jaam: An Iraqi Rhapsody, que foi traduzido para o inglês, alemão, norueguês e publicado no Brasil pela Editora Globo como “Morrer em Bagdá”. Antoon retornou a Bagdá em 2003 como um membro de InCounter Productions, como co-diretor e produtor do documentário “About Baghdad”, sobre a vida dos iraquianos no Iraque pós-Saddam ocupado.
Fonte:
http://www.icarabe.org/CN02/artigos/arts_det.asp?id=178

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Poesia

Bagdá ...Oh Bagdá

por Khalid Tailche

Destruíram meu país
e nas suas ruínas
implantaram o terror

Araram a terra com as bombas
e irrigaram suas diabólicas ervas
com as lágrimas das viúvas

Bagdá...
terra da alegria e da música
terra de ciência de literatura
tornou-se a terra de lamúria

Suas portas estão abertas
para o vento amarelo
Suas ruas são refúgios
para os lobos frenéticos
e os bêbados de sangue

Bagdá, Oh Bagdá
roubaram sua riqueza
e expulsaram seus filhos
e não deixaram em ti
pedra em cima de pedra

Tivemos paciência
seja paciente
Para cada doença há remédio
e para cada criminoso há destin

Fonte:

http://www.icarabe.org/CN02/historia/pron_det_poesias.asp?id=45

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Cultura


CHAI

O chá, chamado de Chai no dialeto iraquiano, nasceu na China e passou pelo países árabes no seu caminho para a Inglaterra, onde no século XIX começou a fazer parte da cultura inglesa. Com as invasões inglesas, a tradição do chá da tarde começou seu caminho de volta para o oriente. Depois da longa invasão turca, começou a invasão britânica no Iraque em 1914. O hábito de tomar o chá preto, que apesar do nome tem a cor avermelhada, se concretizou. As casas de chá até hoje tem o nome de gahwa (Café) no capital Bagdá e no sul do Iraque, e de chai-khana (casa de chá) no norte do Iraque. Tanto a palavra chai-khana quanto a palavra estican ( xícara de chá) tem o nome turco. Assim o chá é oferecido para as visitas como um sinal de hospitalidade.

O modo de preparação do chá tem o nome de takhdir que se refere ao processo de fermentação. Logo depois que a água ferve no próprio bule de chá, o chá preto é adicionado e o fogo é abrandado por alguns minutos para só então desligar-se o fogo. Depois de alguns minutos o chá é servido nos esticans, que são feitos de vidro transparente e bem fino e as vezes decorados com linhas douradas, o que permite ver a cor e sentir o calor do chá nas pontas dos dedos antes de tomá-lo. E como acontece em várias culturas, o processo de preparação do chá trasmite uma certa harmonia e tranqüilidade. Nas casas, o chá é tomado quase em todas as refeições, alem do chá da tarde.

O mais interessante é como o povo absorve os costumes importados e os reproduz de uma forma nova. As chai-khanas ou gahwa se tornaram o lugar de encontro onde os homens bebem o chá e fumam enquanto conversam, jogando gamão ou dominó. Alguns desses lugares se tornaram bem conhecidos por promoverem encontros dos poetas e dos cultos e por ser um espaço de debate. Mesmo com a transformação da estrutura sócio-cultural eles resistem ao tempo mantendo seus braços abertos sobre aqueles que procuram um oásis para um descanso ou uma diversão.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Bader Shaker Al-Sayyab


A Canção da Chuva

Seus olhos são dois bosques de palmeiras na aurora ou duas varandas de onde a lua se afasta.
Quando seus olhos sorriem, as folhas de uva brotam
e as luzes dançam como as estrelas
num rio encrespado pelo remo no despertar da aurora,
brilhando nas profundidades dos seus olhos
e se afogando em tristeza e ternura,

como o mar dominado pelas mãos da noite,
com seu calor de inverno, tremor de outono ,
a morte, o nascimento, e as trevas
e a luz desperta dentro da minha alma o tremor do pranto
é um êxtase selvagem que abraça o céu
como o delírio de uma criança que teme a lua!

Como se o arco-íris fosse bebendo as nuvens
e gota a gota as vertessem em água da chuva O riso dos meninos gorjeia nas parreiras
e quebra o silêncio dos pássaros nas árvores
A canção da chuva

Chuva...
Chuva...
Chuva...

A tarde bocejou e as nuvens ainda
derramam suas lágrimas pesadas.

Como um menino
a balbuciar antes de dormir, querendo sua mãe
Há um ano, quando acordou, não a encontrou e insistiu
Diziam-lhe:
“voltará depois de amanhã,
Sem falta voltará”
e sussurrará aos amigos que ela está lá
ao pé da colina dorme
num sonho eterno
servindo-se da terra e água da chuva,
como um pescador tristonho a recolher a rede
amaldiçoando as águas e o destino,
espalhando o canto onde se eclipsa a lua

Chuva...
Chuva...

Você sabe que tristeza provoca a chuva?
e como as calhas soluçam quando ela cai?
e como faz o solitário se sentir perdido?
Sem fim, como o sangue vertido, como os famintos,
como o amor, como os meninos, como os mortos...
Isto é a chuva!

Suas pupilas me levam com a chuva,
e através das ondas do golfo, os relâmpagos banham
a costa do Iraque com estrelas e conchas,
querendo nascer como o sol,
mas vem a noite e os cobrem com um manto de sangue.

Grito ao golfo : “ Oh! golfo,
Oh doador das pérolas, de conchas e ruínas!”
E me volta o eco
como um soluço
“Oh! golfo
Oh doador das pérolas, de conchas e ruínas ..!”

Quase ouço o Iraque guardando os trovões
armazenando os relâmpagos nas planícies e nas montanhas,
e quando se afastam, os homens acabam com o resto.
O vento de Thumod não deixou
qualquer vestígio no vale.

Quase posso escutar as palmeiras bebendo a chuva,
as aldeias gemem,
e os imigrantes lutam com os remos
e as velas, os temporais do golfo e os trovões, cantando:


Chuva...
Chuva...
Chuva...

No Iraque há medo e fome
Os grãos são espalhados na época da colheita
para satisfazer os corvos e os gafanhotos,
esmagando os celeiros e as pedras
uma moenda que gira nos campos... e ao redor dela, homens

Chuva...
Chuva...
Chuva...

Quantas lágrimas derramamos na noite da partida
E percebemos com medo
Que seriamos acusados de provocar a chuva.

Chuva...
Chuva...

Desde que éramos pequenos, o céu
se cobria com as nuvens no inverno
e caíam os cântaros da chuva,
e a cada ano, quando a terra se cobria de ervas,
sentíamos fome,
nunca passou um ano que o Iraque estivesse sem fome,

Chuva...
Chuva...
Chuva...

E em cada gota de chuva
vermelha ou amarela da cor das rosas,
cada lágrima dos famintos e dos nus
e cada gota derramada de sangue dos escravos
é um sorriso que espera uma nova boca
ou um mamilo que floresce na boca do recém nascido
no jovem mundo do amanhã, o doador da vida!

Chuva...
Chuva...
Chuva...

o Iraque será coberto de ervas com a chuva...

Grito ao golfo : “ Oh! golfo,
Oh! doador das pérolas, de conchas e ruínas!”
e me volta o eco
como um soluço
“Oh! golfo
Oh! doador de pérolas, de conchas e ruínas!”

O golfo espalha seus grandes tesouros
sobre as areias: espuma de sal, e as conchas,
e os restos de um miserável afogado
do imigrante que bebeu a morte
do fundo das águas do golfo,
quando no Iraque há mil víboras que bebem o néctar
de uma flor que o Eufrates alimenta com orvalho.
Ouço o eco
Que se repete no golfo

“Chuva...
Chuva...
Chuva...”

Em cada gota de chuva
vermelha ou amarela da cor das rosas,
cada lágrima dos famintos e dos nus
e cada gota derramada de sangue dos escravos
é um sorriso que espera uma nova boca
ou um mamilo que floresce na boca do recém nascido
no jovem mundo do amanhã, o doador da vida

E caem os cântaros da chuva.
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Traducão: Khalid Tailche

Fonte
المصدر : عن ديوانه " أنشودة المطر " ، ضمن مجموعته الكاملة المجلد الأول ص 474 . دار العودة - بيروت - 1997
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BADER SHAKER Al-SAYYAB (1925-1964)

O poeta Bader Shaker Al-Sayyab nasceu na cidade de Jecor localizada no sudeste da cidade de Basrah no sul do Iraque, em 25 de dezembro de 1925. Ele nasceu numa família sossegada que tinha fazendas de palmeiras por muitos anos no sul do Iraque. Ele teve uma infância feliz, mas sua felicidade terminou com o falecimento da sua mãe dando a luz em 1932 quando ela tinha vinte três anos de idade.

Al-Sayyab estudou numa escola primaria de meninos na cidade de Abu El-Khassib. Desde cedo ele começou escrever poesia o que chamou a atenção dos seus professores que o apoiavam para que escrevesse em árabe padrão.
Ele terminou seu estudo secundário na cidade de Bagdá em 1943 e começou a estudou no instituo superior dos professores ( Faculdade de Educação) em qual ele estudo por quatro anos e escreveu seus pomas cheios de saudade. Uma das suas colegas na época era a bem conhecida poeta iraquiana Nazik Al-Malaaika.

Foi preso e desligado da faculdade em 1946 por suas atividades políticas. Depois de pouco tempo foi libertado, mas foi preso de novo em 1948 e 1949, quando perdeu seu trabalho e acabou sendo proibido de dar aula por 10 anos. Passou dias difíceis de pobreza e humilhação. Em1952, por causa da situação política perturbada, fugiu escondido para o Irã e depois para o Kuwait onde ele teve uma vida de refugiado.

Al-Sayyab voltou para Bagdá muitos meses depois onde ele encontrou com seu velhos amigos. No ano de 1954 ele publicou seu poema ( Inshudat Al-Matar) ou A Canção da Chuva numa revista chamada ( Al-Adab ). Depois do seu casamento em 1955 ele começou trabalhar com tradução de poesia inglesa para o árabe. No 1957 ele começou escrever para a respeitada revista libanesa (Poesia) ao lado dos pioneiros da poesia moderna árabe como Adonis, Anis Al-Haag e Jabra Ibrahim Jabra.

Quando a monarquia acabou em 1958, e com a libertação dos prisioneiros políticos, Al-Sayyab sentiu que seu sonho foi realizado, mas rapidamente a disputa interna que tomou conta da sociedade acabou o prejudicando, e então foi demitido de seu trabalho em 1959 quando começou uma nova faze difícil da sua vida. Em 1961 foi preso e libertado no mesmo mês e mesmo voltando ao seu trabalho, sua saúde começou a deteriorar até que foi internado em 1961.

Assim começou sua longa viagem com a doença. Ganhou uma bolsa para Inglaterra, Universidade de Durham, para obter seu doutorado e tratar sua doença, mas sua saúde deteriorou e resolveu voltar para Londres, onde foi internado. No seu caminho de volta passou pelo Paris onde teve outros exames sem resultados positivos, ele acabou voltando para o Iraque e depois para o Kuwait onde ele faleceu por a complicações das doenças em 24 de Dezembro de 1964.